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3 formas de lidar com a ansiedade, segundo a ciência e a fé

A ansiedade tem dominado as conversas nos últimos anos — e os números comprovam isso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem atualmente com algum transtorno mental, sendo a ansiedade e a depressão as condições mais prevalentes entre elas. No Brasil, o cenário é ainda mais alarmante: em 2024, a palavra “ansiedade” foi eleita a mais representativa do ano pelos brasileiros, e o país registrou um aumento de 400% nos afastamentos do trabalho por ansiedade desde 2014.

Mas, embora pareça um mal exclusivamente moderno — fruto das redes sociais, da correria do dia a dia, das notificações constantes — a ansiedade não é filha do nosso tempo. Ela acompanha a humanidade há milhares de anos.

Um dos relatos mais tocantes está no Antigo Testamento. Depois de vencer os profetas de Baal numa das maiores demonstrações de fé de sua vida, o profeta Elias foi tomado pelo medo diante da ameaça da rainha Jezabel. Ele fugiu para o deserto, sentou-se debaixo de uma árvore e pediu a Deus para morrer, dizendo: “Já basta, Senhor; tira-me a vida” (1 Reis 19:4). Ele se sentia sozinho, exausto e derrotado — sintomas que qualquer pessoa que já lidou com ansiedade e desânimo profundo reconhece.

O que aconteceu em seguida é revelador. Deus não repreendeu Elias por sentir isso. Em vez disso, enviou um anjo para alimentá-lo e deixá-lo descansar — e só depois disso, com o corpo restaurado, Elias pôde ouvir a voz de Deus: não em um vento forte, não em um terremoto, não em um fogo, mas em “uma voz mansa e delicada” (1 Reis 19:12).

Esse relato de milhares de anos atrás carrega uma mensagem incrivelmente atual: a ansiedade é humana, mas ela não precisa ter a última palavra.

Ansiedade saudável vs. ansiedade debilitante: qual é a diferença?

Nem toda ansiedade é ruim — e essa é uma das informações mais importantes e menos compreendidas sobre o tema.

Em agosto de 2018, durante a Semana da Educação da Brigham Young University (BYU), a psicóloga licenciada Debra Theobald McClendon apresentou a palestra Mais alguém tem ansiedade? O poder da boa e da má adaptação na ansiedade: Ansiedade versus o Espírito e as Abordagens Teóricas de Tratamento. Nela, McClendon explicou que a ansiedade, em doses moderadas, é uma resposta protetora natural do corpo:

“A ansiedade pode ser extremamente desconfortável”, disse ela, mas destacou que sentir ansiedade “não faz mal, porque é normal. A questão é: ‘O que fazer pode ou não ser útil em casos de ataque de ansiedade?’”

Segundo McClendon, a ansiedade ajuda as pessoas a preverem perigos futuros e, em níveis moderados, melhora o desempenho — enquanto a ausência total de ansiedade tende a produzir baixa proficiência. Ela usou o exemplo de atletas olímpicos: “um vencedor de medalha de ouro olímpica não é necessariamente o melhor atleta, mas provavelmente é a pessoa que gerencia a ansiedade de modo mais eficaz.”

Ela também compartilhou sua própria experiência ao se preparar para aquela mesma apresentação: “Se eu não sentisse nem um pouco de ansiedade sobre me apresentar na frente de todos vocês, não teria me preparado.”

Esse é o ponto-chave: a ansiedade saudável nos prepara e nos motiva. O problema começa quando ela ultrapassa esse limite.

“A ansiedade fica cada vez mais intensa à medida que ela cresce se você não intervir”, alertou McClendon. “Quando deixamos a ansiedade fugir do controle, ela passa a nos controlar.”

Nesse ponto, a ansiedade pode se manifestar de formas mais sérias e debilitantes — como ataques de pânico, timidez extrema ou agorafobia, que é o medo intenso de lugares ou situações que possam causar sensações de pânico, impotência ou vergonha. Quando isso acontece, McClendon foi clara: é hora de buscar ajuda profissional. A ansiedade em nível clínico não é algo que se resolve apenas com força de vontade ou oração — ela exige, muitas vezes, o cuidado de um psicólogo ou psiquiatra qualificado.

Como a ansiedade afeta nossa capacidade de reconhecer o Espírito Santo

Para quem tem fé, existe uma camada adicional nesse desafio: a ansiedade pode dificultar a percepção de coisas espirituais — inclusive a capacidade de reconhecer a voz suave do Espírito Santo.

De acordo com ensinamentos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o Espírito Santo normalmente Se comunica de maneira silenciosa e gentil. As escrituras descrevem essa comunicação como “uma voz mansa, de perfeita suavidade, semelhante a um sussurro” — a mesma “voz mansa e delicada” que Elias ouviu no deserto (Helamã 5:30).

O problema é que a ansiedade fala mais alto. Segundo o material oficial da Igreja sobre saúde emocional:

“O Espírito Santo é o Espírito da verdade e o Espírito da paz. O Espírito trabalha tipicamente de maneira silenciosa. Os pensamentos causados pela ansiedade são altos e invasivos, tornando difícil sentir o Espírito e depender da sua fé. Fé é confiança em Deus. O oposto da fé é a incerteza e a desconfiança e, portanto, os transtornos de ansiedade minam a fé.” (Saúde Emocional: Ajuda para Mim)

Na prática, isso significa que, quando estamos em um estado elevado de ansiedade, é muito mais difícil discernir entre o que é verdadeiro e o que é apenas medo. Muitas pessoas passam a duvidar de si mesmas nesses momentos — se questionando se aquele sentimento de desconforto é uma advertência genuína ou apenas fruto da própria ansiedade. Esse é um dos efeitos mais silenciosos e menos falados da ansiedade: ela nos faz desconfiar até da nossa própria capacidade de ouvir e discernir com clareza.

As escrituras trazem um princípio orientador para esses momentos. O profeta Jacó ensinou: “o espírito fala a verdade e não mente. Portanto, fala de coisas como realmente são e de coisas como realmente serão” (Jacó 4:13). A ansiedade, por outro lado, frequentemente distorce a realidade — exagerando ameaças, prevendo catástrofes que não vão acontecer e sussurrando mentiras convincentes sobre nós mesmos e nosso futuro.

Reconhecer essa diferença não é simples, mas é possível: enquanto a ansiedade gera urgência, confusão e desespero, o Espírito traz clareza, esperança e paz — mesmo quando a situação em si ainda não mudou.

O que fazer quando a mente não para: 3 caminhos práticos

Se você é uma dessas pessoas que vivem em “modo ansiedade constante” — pensando demais, antecipando problemas, revivendo conversas na cabeça — você não está sozinho. E a boa notícia é que existem caminhos práticos, validados tanto pela ciência quanto pela fé, que podem ajudar.

1. Pratique a “parada consciente”

Segundo o material oficial da Igreja sobre saúde emocional, uma das formas mais eficazes de cuidar da mente ansiosa é reservar, intencionalmente, um tempo e um espaço para acalmá-la: “Reserve um tempo e um local para acalmar sua mente. Expresse gratidão, pratique meditação ou use outra técnica de relaxamento. Permita que seus pensamentos se voltem para Deus enquanto dá a seu corpo e sua mente tempo para relaxar.” (Saúde Emocional: Onde Saber Mais)

Isso é especialmente importante para quem tende ao overthinking, porque a mente ansiosa não desacelera sozinha — ela precisa de um convite explícito para parar. Alguns minutos de silêncio, oração ou até mesmo uma respiração mais lenta e consciente já ajudam o corpo a sair do estado de alerta constante.

2. Volte para o momento presente

McClendon destacou algo essencial durante sua apresentação: “a ansiedade é voltada para o futuro.” Segundo ela, uma das intervenções mais poderosas é “simplesmente lembrar-se disso e colocar-se no momento presente.”

Isso está alinhado com o que especialistas em saúde mental recomendam de forma geral. Conforme aponta o HelpGuide, uma das organizações mais respeitadas em saúde mental, técnicas de manejo do estresse que envolvem atenção plena — como focar nos sentidos (o que você está vendo, ouvindo, sentindo agora) — ajudam a interromper o ciclo de pensamentos ansiosos voltados para um futuro que ainda não aconteceu.

Na prática: quando perceber que sua mente está espiralando em cenários hipotéticos, pare e nomeie cinco coisas que você pode ver ao seu redor agora. Esse pequeno exercício reancora a mente no presente — o único lugar onde, de fato, temos algum controle.

3. Cultive relacionamentos e pequenas alegrias diárias

A conexão social é, segundo diversos estudos, um dos fatores mais protetores contra a ansiedade. O material da Igreja reforça esse ponto: “Conexões sociais com a família, os amigos e outros em sua comunidade podem aumentar sua felicidade e saúde física, e reduzir a incidência dos desafios à saúde emocional. Lembre-se de que é a qualidade dos relacionamentos que você tem que importa, não a quantidade.”

Além disso, há um convite simples, mas poderoso: “Busque prazer nas coisas pequenas e simples, como notar a textura de uma flor, o sabor de sua comida favorita, a beleza do canto dos passarinhos.” Para quem vive em estado constante de alerta, treinar o cérebro para notar pequenas alegrias cotidianas é uma forma concreta de reequilibrar o sistema nervoso — e de lembrar que, mesmo em meio à ansiedade, ainda existe espaço para o bem.

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O que fica no final

A ansiedade não é um sinal de fraqueza espiritual, nem uma prova de que sua fé é insuficiente. Ela é uma experiência profundamente humana — tão antiga quanto o próprio Elias no deserto, e tão presente quanto os dados que vemos hoje sobre saúde mental no mundo todo.

O que aprendemos com a psicologia é que existe uma diferença real entre a ansiedade que nos prepara e a ansiedade que nos paralisa — e que, quando ela ultrapassa esse limite saudável, buscar ajuda profissional não é falta de fé. É sabedoria e cuidado próprio.

E o que aprendemos com a fé é que, seja qual for o seu nível de ansiedade hoje — um pouquinho, moderada ou intensa — Jesus Cristo está disponível para você. Ele não pede que você resolva tudo sozinho antes de vir a Ele. Ele convida você exatamente como está: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28).

Se a ansiedade que você sente hoje é leve, esse convite continua de pé. Se for intensa e difícil de administrar sozinho, o mesmo convite se aplica — mas talvez o primeiro passo prático seja buscar ajuda profissional. As duas coisas não são excludentes. Aliás, muitas vezes, andam exatamente juntas.

Post original de Maisfé.org

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